Voltar para Leituras de barranco

Tralha básica para pesca de rio: o que levar na primeira saída

Leitura de 5 min · por Markus Rohe, pescador amador

Ilustração em estilo de jogo: acampamento na beira do rio ao entardecer, com barraca, canoa, varas de pesca e lampião aceso

Quem começa a pescar em rio costuma comprar coisa demais e usar pouca. Esta lista traz o conjunto mínimo para uma primeira saída embarcada, com o porquê de cada item. São anotações de pescador amador; quem pesca na sua região pode ajustar os detalhes.

Vara

Uma vara só, versátil, resolve o começo. Três informações vêm escritas no blank, o corpo da vara, e ajudam na escolha: o comprimento, a faixa de resistência de linha e a faixa de peso de isca para a qual ela foi feita. Escolho a vara pelo peso das iscas que pretendo arremessar e pelo porte do peixe que espero encontrar, não pela aparência.

Para barco pequeno, prefiro varas mais curtas, que não batem em galho nem no companheiro. Ação média ou média-rápida perdoa erros de arremesso e de fisgada. Um detalhe prático: o cabo da vara é diferente para carretilha e para molinete, então a vara se escolhe junto com o que vai nela.

Carretilha ou molinete

O molinete tem o carretel fixo e fica embaixo da vara. É mais fácil de aprender: o arremesso sai nas primeiras tentativas, e ele lida bem com iscas leves. Para quem nunca pescou, é por onde eu começaria.

A carretilha tem o carretel giratório e fica em cima da vara. Dá mais precisão no arremesso e mais controle na briga, e por isso é a preferida de muita gente na pesca com isca artificial. O preço é a curva de aprendizado: se o carretel gira mais rápido do que a linha sai, forma-se a cabeleira, um emaranhado que toma tempo de pescaria. Freio de arremesso bem regulado e polegar educado resolvem, com treino.

Em qualquer um dos dois, regulo a fricção antes de pescar. Fricção é o ajuste que deixa a linha sair sob pressão em vez de arrebentar. Puxo a linha com a mão: ela deve sair firme, mas sair.

Linha

Existem dois tipos principais. O monofilamento é um fio único de náilon: estica, é mais barato, aceita nós simples e tolera erro. O multifilamento é trançado: quase não estica, é mais fino para a mesma resistência e transmite melhor o toque do peixe, mas é mais visível e sofre com o atrito em pedra e galho.

Para começar com molinete, o monofilamento simplifica a vida. Quem vai de multifilamento precisa de um líder na ponta, um pedaço de linha mais grossa e resistente à abrasão, de náilon ou fluorcarbono, unido à linha principal por um nó próprio para isso. Vale aprender bem dois nós em casa, um para unir linhas e um para prender anzol ou isca, e conferi-los sempre: nó malfeito é a causa mais comum de peixe perdido que conheço.

Linha gasta, áspera ao passar entre os dedos, se corta e se joga fora em casa, nunca no rio.

Alicate e miudezas

Se eu pudesse levar uma única ferramenta, seria um alicate de bico longo. Ele tira anzol sem que eu ponha a mão na boca do peixe, amassa farpa, aperta chumbo e abre argola. Os modelos de pesca costumam ter também uma lâmina que corta multifilamento. Um alicate de contenção ajuda a controlar o peixe pelo lábio na hora de soltar o anzol.

O resto cabe numa caixa pequena:

  • anzóis de alguns tamanhos e chumbos, se a pesca for com isca natural;
  • meia dúzia de iscas artificiais de tipos diferentes, se for o caso;
  • snaps e girador;
  • um carretel de linha para líder;
  • tesoura ou cortador;
  • um pano e um saco para trazer o lixo de volta.

Proteção solar

No rio o sol vem de cima e volta refletido pela água. Por isso trato a proteção como parte da tralha: camisa de manga longa com proteção UV, chapéu de aba larga ou boné com proteção de nuca, protetor de pescoço e rosto, protetor solar reaplicado ao longo do dia.

Óculos polarizados fazem dupla função. Cortam o reflexo e deixam ver estrutura e peixe debaixo da água, e protegem os olhos de uma isca que volta rápido demais num arremesso errado ou num anzol que se solta do galho. Completo com bastante água para beber e repelente.

Segurança no barco

Colete salva-vidas é item de vestir, não de guardar embaixo do banco. Uso o tempo todo, mesmo sabendo nadar e mesmo em água calma. O motor, quando tem o cabo de segurança que desliga a ignição, fica com o cabo preso ao piloto.

Outros hábitos simples: avisar alguém em terra para onde vou e a que horas pretendo voltar; olhar a previsão do tempo e voltar cedo se o céu fechar; não ficar em pé com o barco em movimento; distribuir o peso e manter o fundo do barco livre de linha e anzol solto; levar o celular em saco estanque. Em rio desconhecido, sair com quem conhece o trecho vale mais do que qualquer equipamento.

Uma observação que vale para qualquer pescaria: a pesca amadora no Brasil exige licença de pesca amadora, e as regras locais, como período de defeso e tamanhos mínimos, mudam de um lugar para outro. Confira sempre nos órgãos oficiais antes de sair de casa.