Voltar para Leituras de barranco
Iscas artificiais para tucunaré: superfície, meia-água e jig
Leitura de 5 min · por Markus Rohe, pescador amador

Estas são anotações de pescador amador sobre as iscas artificiais mais usadas para tucunaré: o que cada tipo faz, quando escolher e como trabalhar. Servem como ponto de partida, não como regra.
Por que o tucunaré aceita isca artificial
O tucunaré caça com os olhos e defende território. Ele fica perto de estrutura, como galhada, pauleira, pedra, capim alagado e barranco com sombra, e ataca o que passa por ali se mexendo como presa ou como intruso. É por isso que a isca artificial funciona tão bem com ele: quem dá vida ao pedaço de plástico ou de madeira é o pescador, e o peixe responde ao movimento.
Na minha caixa as iscas ficam separadas pela altura da água em que trabalham. São três famílias: superfície, meia-água e jig. Quase toda decisão do dia se resume a escolher em qual dessas três camadas o peixe está disposto a comer.
Superfície: a mais divertida, nem sempre a mais produtiva
Isca de superfície é a que não afunda. As que mais uso são três:
- Zara: um bastão sem barbela que, com toques curtos e ritmados de ponta de vara, anda em zigue-zague. Dou toques secos, com a linha levemente frouxa entre um e outro, que é o que faz a isca virar de lado.
- Popper: tem a boca côncava e espirra água a cada puxada. Trabalho com toque, pausa, toque. A pausa é parte da isca: muito ataque vem com ela parada.
- Hélice: tem uma ou duas hélices que fazem barulho e rastro. É recolhida com puxadas mais longas e cansa o braço, mas chama peixe de longe.
Uso superfície no começo da manhã e no fim da tarde, com água calma e peixe ativo, e sempre que vejo peixe caçando em cima. O erro mais comum é fisgar no susto, ao ver a explosão na água. O certo é esperar sentir o peso na linha e só então levantar a vara. Quando o peixe erra o bote, continuo trabalhando a isca no mesmo ritmo; muitas vezes ele volta.
Meia-água: o meio-termo que salva o dia
Quando o peixe acompanha a isca de superfície e não ataca, ou quando o sol sobe e a atividade em cima some, desço um andar. As iscas de meia-água têm barbela, aquela lingueta na frente que faz a isca mergulhar e nadar quando é puxada. Algumas flutuam em repouso, outras ficam suspensas, outras afundam devagar.
O trabalho que mais me rende é o de toques: dois ou três toques curtos de ponta de vara, recolho a sobra de linha, pausa. A isca dá um salto para o lado, mostra o flanco e para. Variar o tempo da pausa é o ajuste mais importante. Tem dia em que o peixe quer isca nervosa, quase sem pausa, e dia em que só pega com a isca parada por alguns segundos.
Recolhimento contínuo também funciona, principalmente para cobrir água e descobrir onde o peixe está. Encontrado o peixe, volto para os toques.
Jig: para peixe fundo ou desconfiado
O jig é um anzol com cabeça de chumbo vestido de pelo, pena ou silicone. Afunda, e é isso que o torna útil: alcança o peixe que está embaixo, encostado na estrutura, quando nada em cima nem no meio dá resultado. Também é a isca que costumo oferecer logo depois de um ataque errado na superfície, arremessando no mesmo ponto.
Trabalho o jig assim: arremesso, deixo afundar com a linha esticada, dou dois toques para levantar a isca e deixo cair de novo. A maior parte das batidas acontece na queda, então a linha precisa estar sob controle para eu sentir. Se a linha andar de lado ou parar de descer antes da hora, fisgo.
O peso da cabeça escolho pela profundidade e pelo vento: o mais leve que ainda me deixa sentir a isca. Jig pesado demais cai como pedra e enrosca mais.
Como decido ao longo do dia
Minha ordem costuma ser de cima para baixo. Começo com superfície, porque é a que mostra onde há peixe ativo. Sem resposta, ou com peixe só acompanhando, passo para meia-água. Se continuar parado, vou de jig nos pontos mais fundos e sombreados.
Sobre cor, não tenho fórmula. Levo iscas claras, escuras e alguma chamativa, e troco quando uma para de funcionar. Percebo mais diferença mudando o tipo de isca, o tamanho e o ritmo do trabalho do que mudando a cor.
Outras coisas que me ajudaram mais do que comprar isca nova: arremessar além do ponto e trazer a isca passando rente à estrutura; não bater a isca em cima do peixe; e insistir alguns arremessos no mesmo lugar, variando o ângulo, antes de seguir adiante.
Detalhes de montagem
Uso um líder mais grosso que a linha principal na ponta, porque a boca do tucunaré é áspera e a estrutura corta. Prendo a isca com um nó em laço ou com um snap pequeno, para ela nadar solta. E confiro as garateias e os anzóis: ponta cega perde peixe. Como solto os peixes, amasso as farpas com o alicate; perco um ou outro, e tirar o anzol fica muito mais rápido.
Uma observação que vale para qualquer pescaria: a pesca amadora no Brasil exige licença de pesca amadora, e as regras locais, como período de defeso e tamanhos mínimos, mudam de um lugar para outro. Confira sempre nos órgãos oficiais antes de sair de casa.