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Pesque e solte: como devolver o peixe em boas condições

Leitura de 4 min · por Markus Rohe, pescador amador

Ilustração em estilo de jogo: pirarucu enorme saltando para fora do rio, com a linha esticada e respingos de água em volta

Soltar o peixe é fácil. Soltar de um jeito que ele volte a nadar bem dá um pouco mais de trabalho e começa antes do arremesso. Estas são as práticas que sigo como pescador amador.

A soltura começa na montagem

A primeira decisão é o anzol. Uso anzol sem farpa, ou amasso a farpa com o alicate até ela encostar na haste. Farpa é aquela pontinha voltada para trás, feita para o anzol não sair. Sem ela, o anzol sai com um giro de pulso, sem alargar o furo e sem demora. O medo de perder mais peixe é natural; na prática, mantendo a linha sempre esticada durante a briga, a diferença é pequena.

Em iscas artificiais com garateias, que têm três pontas, costumo trocar por anzol simples quando o modelo permite. Menos pontas, menos furos e menos tempo para soltar.

A segunda decisão é a força do conjunto. Material leve demais para o tamanho do peixe prolonga a briga, e peixe exausto se recupera pior. Prefiro um equipamento compatível, que me deixe trazer o peixe em tempo razoável.

Por fim, deixo tudo à mão antes de arremessar: alicate de bico no cinto ou no banco, câmera ou celular já acessível, e o lugar onde o peixe vai ser apoiado, se for preciso, molhado e sem objetos soltos.

Trazer o peixe para perto

Se dá para tirar o anzol com o peixe ainda dentro da água, ao lado do barco, é o que faço. É a soltura mais simples que existe: seguro a linha ou o líder, giro o anzol com o alicate e o peixe vai embora sem ter saído do rio.

Quando preciso embarcar, por causa de uma foto ou de um anzol mal posicionado, evito arrastar o peixe pela borda do barco ou deixá-lo cair no fundo de alumínio quente. Um puçá de malha emborrachada, sem nós, ajuda bastante. Alicate de contenção, aquele que prende pelo lábio inferior, serve para controlar o peixe, não para pendurá-lo: peixe pesado suspenso só pela boca força a mandíbula e a coluna.

Como segurar

Mãos sempre molhadas. A pele do peixe é coberta por um muco que o protege, e mão seca, pano seco ou luva áspera removem essa camada.

Seguro na horizontal, com uma mão apoiando a barriga, logo atrás das nadadeiras peitorais, e a outra perto da cauda ou controlando a boca. Quanto maior o peixe, mais importante é o apoio por baixo. O que não faço:

  • colocar os dedos dentro das guelras ou encostar nelas;
  • apertar o corpo do peixe para ele parar de se debater;
  • segurar pelos olhos ou pela linha, na vertical;
  • deitar o peixe em areia seca, pedra ou chapa quente.

Se o peixe se debate, baixo de volta para a água ou para o puçá, espero acalmar e tento de novo.

Tempo fora da água

Fora da água o peixe não respira. Não conheço um número que sirva para toda espécie e toda temperatura, então uso uma regra de bolso: prendo a respiração quando tiro o peixe da água. Quando eu precisar de ar, ele também precisa, e volta para o rio.

Para foto, a ordem é esta: quem vai fotografar se posiciona e enquadra com o peixe ainda na água; só então levanto, faço duas ou três imagens e devolvo. Se a foto não ficou boa, o peixe descansa na água antes de qualquer segunda tentativa, ou fica sem foto mesmo.

Tirar o anzol

Com alicate de bico, seguro o anzol pela curva e giro no sentido contrário ao da entrada. Sem farpa, sai quase sozinho. Se o anzol estiver fundo, na garganta ou perto das guelras, não forço. Corto a linha o mais perto possível do anzol e solto o peixe assim. Insistir em arrancar costuma causar um ferimento bem pior do que deixar o anzol.

A devolução

Não jogo o peixe de volta. Coloco na água com as duas mãos, na posição natural de nado, e seguro de leve pela base da cauda. Em rio, deixo a cabeça voltada para a correnteza suave, para a água passar pelas guelras. Em água parada, apenas sustento o peixe na posição certa, em um ponto limpo e oxigenado, longe de lama revolvida.

Espero. O peixe mostra quando está pronto: firma o corpo, bate a cauda e sai da mão por conta própria. Se ele tomba de lado, seguro mais um pouco. Só considero a soltura feita quando ele vai embora nadando com força.

Depois de uma briga longa ou em dia de água muito quente, esse tempo de recuperação aumenta. Nesses dias procuro encurtar as brigas e dispensar fotos.

Uma observação que vale para qualquer pescaria: a pesca amadora no Brasil exige licença de pesca amadora, e as regras locais, como período de defeso e tamanhos mínimos, mudam de um lugar para outro. Confira sempre nos órgãos oficiais antes de sair de casa.